segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Vou pedir a titia que vista uma roupa de fada e me transforme num peixe. Deve ser boa a vida de peixe de aquário, murmurei.
- Deve ser fácil. Aí eles ficam dia e noite, sem se preocupar com nada, há sempre alguém para lhes dar de comer, trocar a água... Uma vida fácil, sem dúvida.
Mas não boa. Não se esqueça de que eles vivem dentro de um palmo de água quando há um mar lá adiante.
- No mar seriam devorados por um peixe maior mãezinha.
- Mas pelo menos lutariam. E nesse aquário não há luta, filha.
Nesse aquário não há vida.”

Lígia Fagundes Telles, Verão no Aquário, cap IX, pág 131.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quando Fecho os Olhos

E aí você surgiu na minha frente,
E eu vi o espaço e o tempo em suspensão.
Senti no ar a força diferente
De um momento eterno desde então.

E aqui dentro de mim você demora;
Já tornou-se parte mesmo do meu ser.
E agora, em qualquer parte, a qualquer hora,
Quando eu fecho os olhos, vejo só você.

E cada um de nós é um a sós,
E uma só pessoa somos nós,
Unos num canto, numa voz.

O amor une os amantes em um ímã,
E num enigma claro se traduz;
Extremos se atraem, se aproximam
E se completam como sombra e luz.

E assim viemos, nos assimilando,
Nos assemelhando, a nos absorver.
E agora, não tem onde, não tem quando:
Quando eu fecho os olhos, vejo só você.

E cada um de nós é um a sós,
E uma só pessoa somos nós,
Unos num canto, numa voz.

Chico César

terça-feira, 10 de julho de 2012

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa se demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

(António Ramos Rosa)

sábado, 23 de junho de 2012

suíte vetusta para precipitação de águas.

vou vestido de chuva
pelas ruas
andarilho dos líquidos
que sou
nada me transborda,
mas vazo
neste precipício
de chagas
que me escorre
de arquétipos
nem tão opostos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012