segunda-feira, 27 de julho de 2009

Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.

Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que tens para mo dar.

Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...

Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?

Fernando Pessoa

Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando dispertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são

Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.

Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida.

Fernando Pessoa, 28-9-1933

terça-feira, 21 de julho de 2009

"Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei."
Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Posso te falar do sonho
Das flores
De como a cidade mudou
Posso te falar do medo
Do meu desejo
Do meu amor
Posso falar da tarde que cai
E aos poucos deixar ver
No céu, a lua
Que um dia eu te dei
Gosto de fechar os olhos
Fugir do tempo
De me perder
Posso até perder a hora
Mas sei que já passou das seis

Sei que não há no mundo
Quem possa te dizer
Que não é tua
A lua que eu te dei
Pra brilhar por onde você for
Me queira bem
Durma bem
meu amor

quarta-feira, 15 de julho de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?

Ahh, tanto faz
E o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu quem será?

Deixo tudo assim,
não me acanho em ver vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.

Sei do escândalo e eles têm razão
Quando vem dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo.
E se eu for o primeiro?
A prever e poder desistir
do que for dar errado

Ahhh olha, se não sou eu quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão

Ahhh, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo,
quando eu sei ouvir.

loshermanos